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Biodança, origem e benefícios

“Conheça a origem e benefícios da biodança por meio de artigo publicado por nossa parceira e psicóloga Maria Cristina Lopes, que desenvolve cursos de Psicologia da Dança além de dar consultorias a escolas e professores.”

A biodanza foi fundada pelo chileno Rolando Toro (1924-2010) que foi autor dos seguintes livros com esta temática: Projeto Minotauro (Toro, 1988) e Biodanza (Toro, 2002). Concluiu seus estudos na Escola de Psicologia do Instituto Pedagógico da Universidade do Chile em 1964 e exerceu a função de professor em algumas universidades. Em 1968 começou a desenvolver a teoria da biodanza através das suas experiências e conhecimentos. No início Rolando Toro nomeou esta teoria de “psicodanza”. Aplicou este sistema no Hospital Psiquiátrico de Santiago e no Instituto de Estética da Universidade Católica de Chile.

Por definição de Rolando Toro a biodanza é “um sistema de aceleração de processos integrativos nos níveis celular, metabólico, neuroendócrino, imunológico e existencial, através de ambiente enriquecido, com música específica, movimento integrado, carícias e encontro grupal, que desencadeiam vivências integrativas” (Biodanza Rolando Toro). De forma mais explicativa, Toro (2008) define:

“A Biodanza tem sua inspiração nas origens mais primitivas da dança. É importante esclarecer que a dança, em um sentido original, é movimento vivencial. Muitas pessoas associam a dança a um espetáculo de “ballet”. Esta é uma visão formal da dança.

A dança é um movimento profundo que surge do mais intimo do homem. É movimento de vida, é ritmo biológico, ritmo do coração, da respiração, impulso de vinculação da espécie, é movimento de intimidade. Acredito em uma dança orgânica, que responde aos padrões de movimento que originam a vida. Temos buscado essa coerência e a encontramos, posições geratrizes harmonia musical entre os seres vivos, ressonância profunda com os micros e macrocosmos. Nosso objetivo é traduzir estas pautas do movimento para a vinculação real.

Somente se nossos movimentos restaurarem seus sentidos de vinculo conseguiremos renascer do caos obsceno de nossa época. Participamos, assim, de uma visão diferente. Buscamos acesso a uma nova forma de viver, despertando nossa sensibilidade adormecida. Estamos exageradamente sozinhos, em meio a um caos coletivo.

Ha um modo de estar ausente com toda nossa presença. No ato de não olhar, de não escutar, de não tocar o outro, o despojamos sutilmente de sua identidade. Não reconhecemos que nele há uma pessoa; estamos com ele, mas o ignoramos. Esta desqualificação, consciente ou inconsciente, horrível que envolve todas as patologias do Ego. Festejar a presença do outro, exaltar-la no oceano essencial do encontro é, talvez, a única possibilidade saudável.A ternura: qualidade de uma pessoa que eu concede sua presença. O que necessitamos para viver é um sentimento de intimidade, de transcendência, de vinculação prazerosa e de estímulos. Pois bem, nessas necessidades naturais temos colocado nossos objetivos. Sabemos que a consistência existencial não pode ser proveniente de uma ideologia, mas de vivências em ação. Nossa finalidade é ativar, através da dança e exercícios de comunicação em grupo, profundas vivencias harmonizadoras” (Toro, 2008).

Fibromialgia…

Alguns estudos foram realizados no sentido de compreender os efeitos da biodanza. Os estudos de maior destaque foram realizados em amostras de pessoas com fibromialgia. A síndrome da fibromialgia (FM) é definida pela Sociedade Brasileira de Reumatologia da seguinte forma:

“Uma síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura. Junto com a dor, a fibromialgia cursa com sintomas de fadiga (cansaço), sono não reparador (a pessoa acorda cansada) e outros sintomas como alterações de memória e atenção, ansiedade, depressão e alterações intestinais. Uma característica da pessoa com FM é a grande sensibilidade ao toque e à compressão da musculatura pelo examinador ou por outras pessoas” (Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2011).

A fibromialgia pode é mais comum em mulheres e os sintomas iniciam, em geral, entre os 30 e 60 anos. A causa desta condição ainda é desconhecida. Porém, especula-se que a FM pode surgir após eventos traumáticos ou problemas orgânicos. A dor é real, porém, não há feridas ou doenças atuais presentes. “Hoje, com técnicas de pesquisa que permitem ver o cérebro em funcionamento em tempo real, descobriu-se que pacientes com FM realmente estão sentindo a dor que referem. Mas é uma dor diferente, onde não há lesão na periferia do corpo, e mesmo assim a pessoa sente dor. Toda dor é um alarme de incêndio no corpo – ela indica onde devemos ir para apagar o incêndio. Na fibromialgia é diferente – não há fogo nenhum, esse alarme dispara sem necessidade e precisa ser novamente “regulado”.” (Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2011).

Há falta de investigações para poder compreender melhor a causa e sintomas destes pacientes. Portanto, é de suma importância compreender de que maneira é possível auxiliar no sentido de diminuir os sintomas destes pacientes.

Alguns estudos sugerem que a biodanza possa ser eficaz nestes casos. Um estudo com 59 mulheres que sofriam com esta condição concluiu que é possível haver melhoras no sintoma de dor com sessões semanais de biodanza (Carbonell-Baeza, 2010). Outro estudo recente com amostra reduzida (27 mulheres com fibromialgia) concluiu que após as sessões de biodanza houve redução da percepção de dor (Segura-Jiménez, 2017). Porém, há estudos que sugerem estratégias mais eficazes (Carbonell-Baeza et al., 2012).

Em suma, profissionais da área da dança e da área da psicologia podem utilizar a biodanza como instrumento de tratamento para pacientes que sofrem com a fibromialgia. Para utilizar com este fim é necessário que o profissional faça a formação com o órgão responsável (International Biocentric Foundation). Também é possível conhecer facilitadores formados através da mesma instituição (International Biocentric Foundation).

Lopes, M. C. (2018, junho 08). Os efeitos da biodanza na dor crônica [Blog]. Recuperado de: http://www.mariacristinalopes.com/os-efeitos-da-biodanza-na-dor-cr-nica.html
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Maria Cristina Lopes. 
Contatos: mariacristinalopes@gmail.com | 21 99305 3432 

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